10
de
julho
Rotas
by Angélica T. Almstadter
Essas enormes avenidas que me recobrem o corpo…esses rios caudalosos que já cantei em tantos dias e em tantas noites seguidas…levam e trazem vida…acolhem nas margens uma imensidão de imagens…
Essa vida que brota exuberante em tons vermelhos faíscantes jorra como nascentes límpidas e escorrem silenciosamente cumprindo um itinerário regiamente traçado…
Mas o ar denso que adentra pelas narinas transita pesado…quase parado…se engasga reticente entre os jardins alveolados das minhas reservas …enroscam na engrenagem…rangem…sibilam…abreviam a vida…
que ainda contente se esparrama petulante …entoa lamentos serenos…faz serenata enluarada nessa dimensão imprecisa….como lâmina que escraviza e mata solenemente…cruelmente…
A vida que agita e se guarda aflita…percorre as linhas e curvas…pranteia e se lança…quase como vingança pelas fornalhas acesas que queimam incessantes, acessas cortantes…
Fecho os olhos e inalo silente…o pouco de vida que me é servido em doses miúdas…nas taças brilhantes …que já não são fartas como antes…transbordam chorosas…e escorrem sem cor para vala comum…ou se espalham no vento sem aceno….

